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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Piadas Nerds no twitter

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É, galera, o post vai ser breve, mas a dica é boa!
Como nerd que se preze não pode ficar por fora das tendências tecnológicas, acho que todos vocês, ou, pelo menos a maioria, tem twitter, né? Então, a minha dica de hoje é um perfil do twitter, o @PiadasNerds.
Lá tem todo tipo de piada nerd com todos os possíveis temas da nossa nerdice. Esse mês, em homenagem ao dia dos namorados, eles estão fazendo um especial com piadas sobre amor (ou a falta dele) e romance. Claro, também valem cantadas bem nerds.
Pra quem for nerd do tipo interativo, os rapazes aceitam sugestões, viu?

Aqui vão alguns exemplos do que já saiu por lá:
- Seu pai trabalha no Google? É que em você eu encontrei tudo o que procurava. #CantadaNerd
- Ash encontra um cadáver na cidade de Vermillion. Qual é o nome do filme? R: "Mewtwo Matou um Cara".
- Claire tinha uma mente Sun. Até q um dia ela Sayid fininho, sem Hume, e volta mto Locke! É Claire, Kate viu kate vê... Vc não está nada Ben!
-  Por que o homem-fumaça não consegue sair da ilha? R: Porque ele está "Locked". #FimDeLost
- Qual é a música dos Beatles favorita do Jin? R: Here Comes the Sun. #FimDeLost

Sigam, curtam e libertem a criatividade nas sugestões!   
-   

sexta-feira, 28 de maio de 2010

No Mundo do Hobbit!

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Atenção! Esse post pode conter spoilers. Se você ainda não leu o livro e não quer saber detalhes da história, cuidado :)

Quando se fala em livros clássicos do mundo nerd, O Hobbit sempre é citado. Sem-pre. Difícil ouvir alguma crítica ao livro, viu?

Movida pela profunda curiosidade despertada por esse fato peculiar, fui ler essa obra de J.R.R. Tolkien, publicada originalmente em 1937. Bem anterior ao surgimento do conceito de nerd como o conhecemos hoje, portanto.

Realmente, todo esse falatório em torno da história não é à toa. O livro é sim muito bom! Pelo menos se você é do tipo que gosta de ler sobre aventuras fantásticas, sobre universos que não existem (a não ser na cabeça do autor e dos leitores, claro). Acho que um dos motivos pelos quais o Tolkien é tão famoso, tão adorado pelos nerds, e por não-nerds também, é a capacidade absurda que ele tinha de criar mundos, sociedades.

E isso é a mais pura verdade! Sem brincadeira, o cara criou línguas para os livros da série O Senhor dos Anéis. Povos. Genealogias! Em O Hobbit isso já aparece um pouco, numa versão mais, hm, digamos, soft. Você já começa a perceber como o Tolkien pensou de forma completamente séria na ascendência dos personagens, na história de seus povos, etc. Principalmente na questão da luta pelo tesouro dos anões Gloin, Oin, Balin, Bombur e compania.

Digo, não parece que a criação de um universo foi conseqüência da vontade de escrever o livro. Tive a impressão que foi justamente o contrário. Parece que aquele universo, aqueles povos, já existiam na cabeça do autor. Ele simplesmente botou no papel. E isso é muito legal.
Aquela ladainha do anel já começa aqui, mas não é muito desenvolvida não. Tudo o que sabemos sobre o "Um" é que ele faz Bilbo ficar invisível toda vez que ele o coloca no dedo e que sem o dito o hobbit não teria feito metade das coisas que fez. Ah, claro, e que uma criatura esquisita habitante das profundezas das montanhas dos Orcs, chamada Gollum, o tem (o anel, não Bilbo) em altíssima conta, preciossso.
O que fica depois da leitura? A curiosidade pra saber o que vem a seguir. Esperto esse Tolkien, já fez um mind games básico pra vender a trilogia do anel ;)

PS: Vocês viram o episódio de Big Bang Theory inspirado no Senhor dos Anéis? Não?! Então assistam esse vídeo aqui, com um dos momentos mais engraçados!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Revista Superinteressante: Sou nerd, mas tô na moda

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A revista Superinteressante fez uma matéria online de duas páginas com o seguinte subtítulo: "Entenda como os garotos mais estranhos do colégio conquistaram o mundo - e a indústria do entretenimento". Mas na verdade, muito além de apenas falar dos patinhos feios que se deram bem, eles fazem um recorte no mundo nerd em fusão com o cool, explicando mais ou menos o que pertence a cada mundo.
Quem acha interessante, dá uma olhada na imagem retirada da matéria:

Vocês concordam com essas divisões?
Para ler a matéria completa, clica aqui.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Sobre as origens de uma fortuna ou senta que lá vem história!

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Mesmo que o leitor suspeite como a história vai terminar – o que, de certa forma, já é sugerido no subtítulo do livro – The Accidental Billionaires não deixa de ser uma história interessante. A proposta é narrar a criação do Facebook.


É uma conclusão quase lógica. Grandes empreendimentos, seja qual for sua natureza, quase sempre (sejamos justos, vamos dar o benefício da dúvida) envolvem alguma espécie de maracutaia. Até mesmo Steve Jobs, um dos fundadores da Apple, já foi agraciado com uma “emboscada” preparada por seus sócios (ou seria o contrário? Vai saber....).


Então, de um jeito ou de outro, o leitor mais ou menos familiarizado com os boatos obscuros envolvendo gênios, traição e ganância não vai se surpreender com o desfecho do livro de Ben Mezrich. Sim, é o mesmo que escreveu Bringing down the house ou Quebrando a banca, como ficou na tradução para o português.


Mezrich nos conta que o Facebook foi na verdade uma co-criação de dois estudantes de Harvard, o norte-americano Mark Zuckerberg e o brasileiro Eduardo Saverin. Saverin entrou com o investimento financeiro inicial. Zuckerberg, com o conhecimento técnico sobre computação.


Na verdade, Mezrich deixa no ar se a essência do que viria a ser o Facebook – códigos complicados, o conceito de conectar redes de pessoas online, etc – foi mesmo pensada por Zuckerberg. O autor cita logo nas primeiras páginas uma proposta feita ao suposto criador do site por Tyler Winklevoss, Cameron Winklevoss e Divya Narendra, também alunos da mesma universidade.


O trio já tinha encaminhado o projeto de criar um site de relacionamentos cujo objetivo seria arranjar, como se diz nos Estados Unidos, a date. Ou seja, puramente hormonal. Zuckerberg entraria como o programador da empreitada, posto abandonado por um amigo dos Winklevoss e de Narendra. A ele foi dado acesso aos códigos prontos, ao conceito, a tudo.


Zuckerberg se defende dizendo que o Facebook não foi criado com base nos códigos dados a ele pelo trio. E que “não se pode processar os fabricantes de cadeiras só porque o a idéia de seus produtos é basicamente a mesma”.


Nas páginas seguintes, Mezrich narra – às vezes superficialmente – o estouro do Facebook e a forma como Saverin foi passado para trás por seu então melhor amigo.


Aos fatos. The Accidental Billionaires não contou com a, digamos, colaboração de Mark Zuckerberg. Aliás, dificilmente as coisas são narradas no ponto de vista dele no livro. Não tem como saber ao certo se tudo o que é contado naquelas páginas é de fato verdade.


Mas, como foi dito no início desse post, se o leitor já está familiarizado com os boatos de gênio, traição e ganância que sempre rondam os grandes bolsos e cérebros de nosso tempo, a tese de Mezrich não soa tão megalomaníaca. Pode ser que seja a mais pura verdade. Vai saber. A pulga já está atrás da orelha.


Ps: Não, eu não corri direto pro Facebook depois de terminar de ler o livro.


Ps2: Mas sabe o que é muito curioso? Eduardo Saverin tem... um perfil no Facebook! Se ele acessa com frequência não sei, mas que é irônico, ah, isso é!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Revista Wired lança matéria de capa sobre geeks!

Share Essa matéria saiu na Wired falando sobre geeks da tecnologia, hackers e idealistas. Quem quiser dar uma olhada, clica aqui.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

É tarde! É tarde! É tarde!

Share Corram como o coelho branco! Preparem a pipoca e o guaraná! Cortem as cabeças! (rsrs)
Já está chegando ao fim a contagem regressiva para o super lançamento de Alice no País das Maravilhas em 3D nos cinemas.

O filme está em cartaz nos EUA desde 5 de março, mas no Brasil os adoradores da pequena loirinha devem esperar até o dia 21 de abril. Felizmente a espera já está acabando e logo logo poderemos ver em 3D todas as surpresas que Tim Burton preparou nessa nova aventura de Alice, agora nem tão pequena assim. A história será sobre o retorno de Alice, já adulta, para o País da Maravilhas.

O elenco conta com ninguém menos que Johnny Depp, que abandonou o navio pirata e voltou a usar cartola, interpretando desta vez o chapeleiro louco. Como Rainha de Copas, encontraremos Helena Bohan Carter, conhecida por sua interpretação da maléfica Belatriz Lestrange na série de filmes Harry Potter. Helena, que além de conhecer o trabalho de Tim em filmes como “Noiva Cadáver”, o conhece melhor que ninguém (eles são casados).

Além deles, o filme também apresenta Mia Wasikowska como Alice, Crispin Glover como Valete de Copas, Anne Hathaway interpretando a Rainha Branca e Alan Rickman como a Lagarta. Fora este elenco incrível e a idéia inovadora de pensar além do texto original, há mais um atrativo: a magia dos efeitos visuais em 3D. Parece que Burton se superou nessa nova produção...

Ficou curioso? então aqui vai uma palhinha do que vem por aí:
http://www.youtube.com/watch?v=9POCgSRVvf0&feature=related

E na onda das inovações digitais, o Ipad dá o que falar:
http://www.youtube.com/watch?v=gew68Qj5kxw

terça-feira, 13 de abril de 2010

O livro digital e seus direitos de leitor

Share Parece que os livros digitais vão começar a ser um mercado, de verdade e em breve. a amazon está lá, a sony também, assim como a barnes & noble e agora a apple, trazendo seus fanáticos consumidores para a cena do livro digital. sim, e há um monte, dezenas, de xing-ling-readers, pelo menos meia dúzia dos quais tem aspirações a ser a hyundai do livro digital. mas há que se lembrar que o “reader”, o dispositivo que fica na sua mão, é só uma pequena parte da solução. ou uma grande parte do problema, você escolhe.claro que ninguém sabe, a esta altura do campeonato, o que vai acontecer com o livro digital; aliás, este foi o tom das discussões do primeiro congresso internacional do livro digital, CILD, que rolou em são paulo semana passada; este blog esteve na conversa e os slides da palestra estão neste link.continua aqui: http://smeira.blog.terra.com.br/2010/04/07/o-livro-digital-e-seus-direitos-de-leitor/

Revista Bravo: Admirável Livro Novo - IPad

Share REVISTA BRAVO (Abril 2010)

Admirável Livro Novo

O iPad, que sai neste mês nos Estados Unidos, é mais um passo de uma revolução em curso. Obras de culinária, infantis e até de literatura poderão ser enriquecidas com vídeos, animações e mecanismos interativos. Até quando o velho livro de papel aguentará a concorrência?
por Cristiane Costa ilustrações Sean Mackaoui

Quem compraria de olhos fechados um produto que ninguém experimentou, que ainda não tem certeza de como funciona e que nem sabe exatamente para que vai servir? A partir deste mês, milhares de pessoas (por ora apenas nos Estados Unidos) terão a oportunidade de ver como é realmente o iPad, o mítico e-reader da Apple, aquele que pode fazer com o livro em papel o mesmo que o iPod fez com o CD: torná-lo dispensável. Seriam esses computadores pessoais em formato de prancheta e tela sensível ao toque, chamados tablets, “assassinos tecnológicos”, capazes de transformar o livro impresso em objeto de museu, ao lado dos daguerreótipos, dos gramofones e até dos primeiros leitores digitais, como o Kindle?

Como em todas as discussões milenaristas, os debatedores podem ser divididos em duas correntes: os “apocalípticos” e os “integrados”, para usar os termos do filósofo italiano Umberto Eco – que é, aliás, uma voz importante também nessa questão. Na obra Não Contem Com o Fim dos Livros, que sai no fim do mês no Brasil, ele e o escritor francês Jean-Claude Carrière procuram tranquilizar, numa série de conversas, os que temem que a era tecnológica se transforme num apocalipse que não deixará página sobre página. Ao mesmo tempo, é um exemplo de como a discussão sobre o fim do livro é inútil, porque na maior parte do tempo é baseada em achismos e experiências pessoais que não são necessariamente compartilhadas pelas novas gerações. Mesmo quando o debate é liderado por pensadores de renome.

Quem lê o livro percebe que a confiança expressa na capa não reflete o conteúdo. O que sobressai é o lamento de dois homens brilhantes que, como muitos de seus contemporâneos, se veem como dinossauros soterrados por uma revolução nas formas de escrever, ler e transmitir o conhecimento. Carrière fica surpreso, por exemplo, quando o amigo Eco revela ser um velho jogador de fliperama (!) atordoado por uma “derrota acachapante” de 280 a 10 para o neto de 7 anos num videogame. O placar leva o autor de O Nome da Rosa a reconhecer que, por mais que tenha devorado bibliotecas, é incapaz de acompanhar a revolução que se anuncia. “Nossa insolente longevidade não deve nos mascarar o fato de que o mundo do conhecimento está em revolução permanente e de que não fomos capazes de captar plenamente alguma coisa senão no lapso de um tempo necessariamente limitado.”

Apesar de inflamar corações e mentes, a discussão sobre o fim do livro é apenas a ponta do iceberg de outra revolução em curso: a das novas possibilidades de narrar e ler abertas pelas tecnologias digitais [leia os principais exemplos nos quadros ao longo desta reportagem]. Essas inovações convergem de tal forma que, no futuro, as experiências de ler, ouvir e ver não serão mais distintas. Uma nova semântica já começa a se instaurar a partir da internet. Os próprios conceitos de livro e literatura já não parecem mais tão claros diante das novas mídias.

A QUARTA TELA

A revolução que torna incerto o futuro do livro questiona a noção de autoria, abala as bases da indústria editorial e muda as formas de leitura já é chamada pelos especialistas de Quarta Tela – as três primeiras são a da televisão, a do computador pessoal e a do telefone celular. A quarta tela com que vamos nos acostumar a interagir diariamente será a do tablet. O iPad é a estrela desta nova geração de computadores, mas nem de longe a única. Calcula-se que ele dividirá o mercado com pelo menos 50 modelos nos próximos meses.

A Hewlett-Packard, por exemplo, promete para breve o Slate, que usará o Windows como sistema operacional. A Samsung também anunciou o seu E6, um e-reader que permite anotações a mão, e a Asus inova com um e-reader com duas telas, simulando a leitura de um livro. Até o Brasil entrou na corrida. De Recife, a Mix Tecnologia anunciou o lançamento para junho do primeiro leitor eletrônico com software 100% nacional, a um preço que varia entre R$ 650 e R$ 1,1 mil. O investimento parece alto, mas milhares de e-books são oferecidos pelas livrarias virtuais gratuitamente, como os clássicos em domínio público. E o download de um lançamento custa em geral metade do preço de um livro em papel.

Tablets têm uma série de vantagens sobre os dispositivos que apenas exibem textos digitalizados, como os pioneiros Kindle, da livraria Amazon, e o nook, da livraria Barnes & Noble, além de sua tela colorida. “Ele abre uma nova gama de experiências que ultrapassa a da leitura do livro impresso”, afirma o brasileiro Julius Wiedemann, editor-chefe da área de design da Taschen, que já testa um programa para simular livros de arte no novo e-reader, com direito a multimídia e interatividade. “Vivemos uma mudança radical de paradigma”, acredita. Opinião parecida tem o editor da revista americana Wired, Chris Anderson. “Daqui a 10 anos vamos ver que este foi um momento significativo”, afirmou numa conferência em São Francisco em março, quando apresentou um vídeo com a versão da revista, uma espécie de bíblia das novas tecnologias, para o iPad.

A verdade é que, até o mês passado, e-readers eram suportes eletrônicos para livros comuns, e os e-books não passavam de versões digitalizadas de textos produzidos para serem impressos. Mas, de agora em diante, o livro — assim como os jornais e revistas — pretende ser muito mais do que um texto adaptado para o novo formato. Nascidos digitais, os novos livros podem prescindir da leitura linear, integrar-se à internet, misturar palavra, vídeo, foto, som e animação, e literalmente explodir em 3D nas telas. Neste novo universo, real e virtual não são mais mundos separados. Os novos livros poderão ainda ser reescritos por seus leitores, em experiências interativas e colaborativas que colocam em questão o conceito de autoria e propriedade intelectual.

O CHEIRINHO DO LIVRO

Ainda é cedo para medir o impacto na criação narrativa dessa literatura sem papel. O livro eletrônico poderia desenvolver novas formas expressivas — assim como o livro impresso possibilitou o boom do romance, e a câmera filmadora a explosão do cinema? Boa parte das obras produzidas no novo formato ainda é experimental. No entanto, as editoras comerciais já começam a fazer suas próprias experiências. A Penguin e a Macmillan colocaram na rede vídeos mostrando como seus livros serão reinventados, ganhando recursos interativos e multimídia, espaço para comentários, mecanismos de busca e comunidades virtuais de leitores para trocar ideias.

Segundo o executivo-chefe da Penguin, John Makinson, a editora criará grande parte de seu conteúdo digital em HTML (linguagem para escrever páginas da internet) em vez do formato ePub, usado nos livros eletrônicos. “A própria definição de livro está aberta”, acredita. De fato, há dúvidas sobre como classificar as obras produzidas a partir das estratégias narrativas abertas pelas novas tecnologias. Seriam livros ou alguma forma nova, que já é chamada de transmídia, que conviverá em separado com o mercado editorial tradicional, como a televisão adquiriu uma linguagem diferente do cinema?

Apesar de toda essa excitação, não faltam leitores que não pretendem abandonar o papel por nada. Seus argumentos são pertinentes. Ler num computador não é tão confortável como ler uma obra impressa (por outro lado, uma biblioteca inteira cabe num levíssimo e-reader). É difícil ler na tela porque os olhos se cansam da luminosidade (aparentemente não os das novas gerações, habituadas às telas do computador). As baterias acabam, enquanto livros duram quase uma eternidade (em compensação os livros impressos não podem ser baixados para o seu e-book quando se está há horas esperando na antessala do médico). Para praticamente todo argumento contra um tipo de livro há um a favor.

Resta o insubstituível “cheirinho do livro”. Para quem não abre mão dele, uma história divertida é a relatada pelo historiador americano Robert Darnton em A Questão dos Livros: Passado, Presente e Futuro, que sai no Brasil em maio. Conta que uma pesquisa com estudantes constatou que 43% deles consideravam o cheiro uma das maiores qualidades dos livros. E a única que aparentemente não poderia ser suplantada pelos livros eletrônicos. Mas uma editora online, a CaféScribe, já apareceu com uma solução: oferecer um adesivo para ser colado em seus computadores com um aroma similar.

Especialista na história do livro, Darnton mostra que o livro impresso é também uma tecnologia de leitura, que já desbancou outras, no passado: os rolos de pergaminho e as obras manuscritas, mesmo que sob severos protestos de seus defensores. Nesta área, as mudanças têm sido cada vez mais rápidas. “Da descoberta da escrita até o codex (o formato atual do livro), passaram-se 4.000 anos; do codex à tipografia, 1.150 anos; da tipografia para a internet, 524 anos; da internet para os mecanismos de busca, 17 anos; deles para o Google, 7 anos; e quem sabe o que estará ali na esquina ou vindo na próxima onda?”, pergunta.

Com ou sem cheirinho, os e-readers prometem revolucionar os hábitos de leitura, assim como o codex fez com os rolos de papiro. Em vez de duas páginas lado a lado, teremos uma única, que também servirá para exibir vídeos, acessar a internet e nos comunicar com os amigos. Podemos retomar o hábito de fazer anotações nas margens, sublinhar e usar etiquetas virtuais (tags) para catalogar o que nos interessa. Em vez de comprar livros, poderemos baixá-los numa livraria virtual imediatamente — e talvez impulsivamente, porque o preço será bem menor. Será muito simples buscar palavras-chave num grande volume de textos e assim destrinchar em poucos minutos a obra de um grande pensador sobre determinado assunto. Ou mesmo de vários pensadores ao mesmo tempo. Vamos poupar muitas árvores de serem abatidas à toa, para a publicação de livros sem importância. Mas qual será o custo disso para o universo da leitura tal como conhecemos hoje?

O tempo dirá quem vai pagar a conta.

Revista Bravo: Novas formas de fazer literatura

Share CROWDSOURCING
Elaboração dos mais diversos conteúdos de maneira coletiva. O desenvolvimento de ferramentas interativas e o sucesso do twitter deu novo fôlego às experiências colaborativas em rede na área acadêmica e literária.

Aplicações
A enciclopédia virtual Wikipédia é um exemplo de narrativa colaborativa: em vez de especialistas contratados, quem escreve os verbetes são os leitores. Na wikiliteratura, eles também são convidados a contribuir para o desenvolvimento da história.

Títulos
De olho no fenômeno, a editora americana Penguin criou o projeto A Million Penguins, que chamou de exercício de escrita criativa colaborativa com base no twitter. Nela, todas as contribuições podem ser editadas, alteradas ou removidas pelos colegas. E a BBC Audiobooks convidou o escritor Neil Gaiman para dar o pontapé inicial de um conto com uma frase de 140 caracteres, complementado depois pelos seguidores cadastrados.

Interatividade
Total. A própria ideia de autoria se desfaz nestes projetos baseados no conceito de inteligência coletiva.



FICÇÃO HIPERTEXTUAL
Também chamada de ficção não-linear, permite que o texto tome vários caminhos e até ter vários finais possíveis. Não nasceu na internet, mas ganhou impulso nela pela facilidade de criar hiperlinks, que possibilitam navegar pela história.

Aplicação
Tem grande aplicação na literatura, adequada para a criação de nova narrativas não-lineares, ou na adaptação de já existentes, como O Jogo da Amarelinha, de Júlio Cortázar.

Títulos
Alguns dos mais interessantes exemplos podem ser consultados na Biblioteca Cervantes Virtual, sob a rubrica hipernovela. Vale conferir títulos como Condições Extremas, de Juan B. Gutierrez.

Interatividade
Pode ser de dois tipos: explorativa e construtiva. Na primeira, o autor define os rumos da história, mas permite ao leitor decidir seu trajeto de leitura. Na segunda, o leitor pode inclusive modificar a história.



HIPERMÍDIA
Narrativa que faz uso de texto, áudio, animações e vídeo para contar uma história ou desenvolver uma tese. A hipermídia não é a mera reunião da várias mídias, mas sim a fusão delas numa nova narrativa.

Aplicação
Permite que várias mídias sejam integradas e formem uma nova linguagem, com sua própria gramática. Já imaginou um livro como A Volta ao Mundo em 80 dias usando o Google Maps? É útil também em ensaios – um livro sobre a ópera, por exemplo, pode trazer imagem e áudio das encenações.

Títulos
O premiado Alice Inanimada, produzida por Kate Pullinger e Chris Joseph, é um romance que utiliza uma combinação das várias mídias. Durante dez episódios vemos a menina sair de uma região remota da China para se tornar uma designer de jogos.

Interatividade
Nem sempre é necessária. O leitor pode simplesmente acompanhar a história da forma como ela é narrada. Ou eventualmente jogar com ela.

VEJA: http://www.inanimatealice.com/


FAN FICTION
Obra de ficção criada por fãs com base em personagens de livros, filmes, mangás e animações consagradas. Sem se importar com direitos autorais, os fãs podem também tomar emprestadas situações das histórias originais.

Aplicação
Criado para diversão, o gênero também tem um potencial didático que já foi descoberto por professores de português. Em sala de aula, pode-se criar fan fictions de obras clássicas – inventado mais peripécias, por exemplo, para Leonardo Pataca, protagonista de Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

Títulos
Embora os primeiros blogs sejam dedicados a aventuras inspiradas pela série Harry Potter, de J. K. Rowling, há histórias baseadas em Senhor dos Anéis, de J. K. Tolkien, e em Eragon, de Christian Paolini, entre outros.

Interatividade
Em sites, blogs, fóruns e redes de e-mail, um “autor” pode controlar um personagem, discutindo com os amigos os rumos da história.

VEJA: http://fanfiction.nyah.com.br/


GAMES
Modelo narrativo não-linear, que leva o leitor a “jogar” uma história, em vez de acompanhar passivamente a trama arquitetada por um autor.

Aplicação
Atraente especialmente para o público juvenil, acostumado a interagir com videogames. Os educadores já estão de olho no potencial do formato para atualizar os livros didáticos. Já pensou estudar Geografia procurando um tesouro nos Andes?

Títulos
Em 2008, a editora americana Scholastic publicou o primeiro livro da série The 39 Clues – lançado no Brasil pela Ática. Escrito por Rick Riordan, autor de Percy Jackson & Os Olimpianos, o livro entrou imediatamente nas listas de mais vendidos nos Estados Unidos.

Interatividade
No caso de The 39 Clues, um website, figurinhas colecionáveis, quebra-cabeças, jogos on-line ajudam o leitor-jogador a seguir as pistas que revelam o passado da família Cahill e de personagens históricos, como Benjamin Franklin e Anastasia Romanov.

VEJA: http://www.the39clues.com


REALIDADE AUMENTADA
Marcada com um código especial, uma página de livro exibe objetos tridimensionais na tela do computador quando colocada em frente à webcam. São imagens, sons e textos que acrescentam informações ao conteúdo impresso, numa mistura de mundo virtual e real.

Aplicação
Útil para livros infantis e enciclopédias, que poderiam trazer mapas, gráficos e objetos animados e em 3D.

Títulos
As crianças que foram à Feira de Frankfurt em 2008 puderam se deliciar com as experiências da Metaio, uma empresa alta tecnologia alemã que apresentou os livros Aliens & UFOs. Este ano, as inglesas Salariya Book Company e Carlton lançaram títulos como O que Lola Quer... Lola Tem e Dinossauros Vivos!

Interatividade
O que diferencia essa tecnologia dos pop-ups tradicionais (livros de papel em que as ilustrações são montadas em 3D) é que os objetos em 3D se mexem e acompanham o leitor, seguindo seus movimentos.

VEJA: http://www.metaio.com


VOOK
Um livro em que a informação do texto é complementada com vídeo – algo parecido com o jornal Profeta Diário dos filmes de Harry Potter, em que as reportagens trazem, em vez de foto, personagens em movimento.

Aplicação
Útil para livros de receitas culinárias ou de ginástica, em que o leitor poderá ver os movimentos necessários em vídeo. Em ficção, contudo, seu uso é polêmico, por tirar do leitor o prazer de imaginar rostos e cenários.

TítulosDisponíveis hoje para iPhone e tablets – não para Kindle. Em ficção, Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, e A Estranha História do dr. Jekyll e mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson. Há ainda obras exclusivas para o formato, como Promessas, de Jude Deverauz.

Interatividade
O leitor pode se conectar com o autor, acessar links úteis e comentar a história com seus amigos ou outros leitores nas redes sociais, como o Twitter e o Facebook.

VEJA: http://www.vook.com
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